Os apóstolos da igreja primitiva e os atuais

Os verdadeiros apóstolos viveram e morreram pelo nome de Cristo. Os de hoje não morreriam pelo nome Dele, assim como não vivem. Se autopromover a apóstolo, considerando haver neste título uma posição de superioridade em relação à posição pastoral, se tornou moda nas últimas décadas.

O protestantismo brasileiro é, historicamente, sujeito a modismos. Alguém aparece com uma “novidade” e em seguida há dezenas, centenas, milhares de outros seguindo a mesma “visão”.

Arruma-se alguma justificativa espiritual para garantir a novidade – geralmente é “avivamento” – e conforme alguns ganham projeção com a nova empreitada, outros também embarcam.

Novidades teológicas sempre são perigosas e merecem um escrutínio bíblico severo. Como a Palavra de Deus permanece a mesma, raramente as novidades resistirão à análise acurada. Porém, muitos não se importam. Se há um “avivamento” rolando precisam fazer parte. Se surgiu a partir de uma “revelação”, melhor ainda.

Há premente desejo de sair da mesmice de sempre. São do tipo que precisam de novas experiências, moveres, unções… Novidades.

O Evangelho bíblico então se torna algo que não basta mais, a turma o considera monótono. É preciso esgarçá-lo. Encontrar novas formas de manifestá-lo.

A moda apostólica surgiu nesse bojo. É preciso um estardalhaço que tire a igreja que não lê Bíblia do marasmo, de preferência com pressupostos teológicos que deem guarida à perspectiva de arrecadar muitas ofertas especiais.

Poucas coisas são mais vergonhosas e carnais no evangelicalismo atual do que o “apóstolo” autonomeado que o fez como consideração de promoção e elevação espiritual.

Os apóstolos legítimos, cujos Atos estão relatados no Cânon, completaram um avivamento espiritual que mudou a história do mundo, a geopolítica, a estrutura religiosa e afetou todos os centros de poder.

Respeitamos o legado dos apóstolos de Cristo por dezenove séculos. Não podemos compará-los agora a quem se autopromove para cobrar trízimo e comprar jatinho.

Que moral possuem para se comparar a estes homens?

Chamaram os apóstolos e mandaram açoitá-los. Depois, ordenaram-lhes que não falassem em nome de Jesus e os deixaram sair em liberdade.
Os apóstolos saíram do Sinédrio, alegres por terem sido considerados dignos de serem humilhados por causa do Nome.
Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam de ensinar e proclamar que Jesus é o Cristo.
Atos 5:40-42

Os verdadeiros apóstolos se alegravam por seu sofrimento ao pregarem sobre Cristo;

Os de hoje se alegram por baterem as metas de arrecadação estipuladas.

Os verdadeiros apóstolos enfrentavam perigos de morte em viagens missionárias;

Os de hoje organizam viagens à Terra Santa mediante comissão.

Os verdadeiros, ao curarem em nome de Cristo, diziam: “não tenho prata nem ouro, mas o que tenho te dou”.

Os de hoje: “não tenho prata nem ouro, então faremos uma nova campanha para arrecadá-los”.

Os verdadeiros desrespeitaram a lei pregando o evangelho de Cristo quando era proibido.

Os de hoje desrespeitam a lei sonegando impostos e escondendo dinheiro dentro da Bíblia.

Os verdadeiros apóstolos viveram e morreram pelo nome de Cristo.

Os de hoje não morreriam pelo nome Dele, assim como não vivem.

Por Renan Alves da Cruz

 

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