Idolatria ou veneração: O pecado de Francisco

Uma reflexão sobre a mudança no sentido dos termos para camuflar o pecado da idolatria

Salmo 113.10-16 (BÍBLIA AVE MARIA)
Por que diriam as nações pagãs: Onde está o Deus deles? Nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz. Quanto a seus ídolos de ouro e prata, são eles simples obras da mão dos homens. Têm boca, mas não falam, olhos e não podem ver, têm ouvidos, mas não ouvem, nariz e não podem cheirar. Têm mãos, mas não apalpam, pés e não podem andar, sua garganta não emite som algum. Semelhantes a eles sejam os que os fabricam e quantos neles põem sua confiança

Antigamente, quando falávamos de idolatria com um católico ele dizia, por orientação dos padres: “Nós não idolatramos as imagens. Nós apenas usamos essas imagens com o mesmo sentido das fotos que qualquer pessoa tem de seus familiares nas casas, afinal essas fotos de familiares também são imagem, e isso não é pecado”.
Então, nós – evangélicos – respondíamos: “É verdade que temos fotos de familiares em nossas casas, mas nunca nos ajoelhamos diante dessas fotos, nunca acendemos velas diante dessas fotos, nunca falamos com essas fotos e nem lhes fazemos promessas, romarias ou novenas. Em nossas igrejas nunca entramos com essas fotos para lhes oferecer culto. Quem fizer isso, mesmo dizendo-se evangélico está errado, está pecando”.

Com o passar do tempo, a argumentação sobre o uso das imagens de escultura como objeto de idolatria por parte do catolicismo foi sendo modificada, e hoje, dificilmente alguém utiliza a desculpa que foi dada anteriormente para tentar justificar esse tipo de adoração idolátrica.

Hoje a discussão está no significado dos termos. Enquanto os evangélicos dizem que esse tipo de atitude é idolatria, o catolicismo tem afirmado que não é idolatria, mas veneração. Então, estabelecem uma diferença entre idolatrar e venerar, simplesmente para fugir das implicações que os textos bíblicos impõem.
Tentaremos entender o assunto, e para isso vejamos o que a Enciclopédia Católica Popular, de D. Manuel Franco Falcão, afirma:

Idolatria: (Do gr. = culto dos ídolos). É o culto (somente devido ao Deus único e verdadeiro) prestado a forças da natureza (astros, árvores, animais, fogo…) ou a ÍDOLOS FABRICADOS PELO HOMEM, tidos como divindades ou sua representação (politeísmo pagão). São práticas idolátricas o satanismo, a magia, a feitiçaria, a superstição. Tem também o seu quê de idolátrico o culto exagerado do dinheiro, do poder, do prazer, da raça, do Estado… Todas as formas de i. constituem pecados contra a virtude da religião, e vão contra o 1.º Mandamento da Lei de Deus (cf. Cat. 2110ss).

Veneração: No sentido religioso, é a atitude de profundo respeito e mesmo de *culto, devida às pessoas e coisas sagradas. A Deus e às Pessoas divinas, a v. é de adoração; a Nossa Senhora, de culto especial (hiperdulia); aos santos, de du­lia. E ainda são dignas de v. as imagens, relíquias, alfaias e demais coisas afectas ao culto.

Então, com base na Enciclopédia Católica Popular, a “idolatria” é:
1) O culto prestado a ídolos fabricados pelo homem (o catolicismo realiza culto às imagens);
2) Caracterizada como politeísmo (Religião em que há pluralidade de deuses);
3) Por último, “Todas as formas de idolatria constituem pecados contra a virtude da religião, e vão contra o 1.º Mandamento da Lei de Deus”.

Já com relação a “veneração”, a mesma Enciclopédia Católica Popular diz o seguinte:
1) Atitude de respeito e culto. Assim como na idolatria, a veneração realiza culto àquilo que considera sagrado. Idolatrai e veneração têm as mesmas práticas;
2) O objeto venerado é considerado “sagrado” (santo).
3) Essas “coisas” sagradas são: “Deus e as pessoas divinas”. O que é uma pessoa divina? Bem, a Bíblia diz em Cl 1:19 e Cl 2:9 que em Jesus habita fisicamente a plenitude da divindade. Então, para a Bíblia uma pessoa divina é Deus, e para a religião comum é alguém que está em pé de igualdade com Deus;
4) A adoração de veneração é prestada à Deus e às “pessoas divinas” em pé de igualdade, e como exemplo desse culto é citado “Nossa Senhora” (observe o destaque das letras maiúsculas que dão soberania à Maria, pois o termo Senhor só é utilizado para se referir a Deus e aqui é empregado para se referir à Maria);
5) Essa adoração de veneração (idolatria) é realizada para os “santos”, “as imagens, relíquias”.

Portanto, ao pretender utilizar o termo “veneração” para substituir o termo “idolatria” não mudou em nada o significado de que ambos são pecaminosos quando empregados a qualquer um que não seja Deus (Trindade).

O Dicionário Aurélio diz o seguinte, sobre Idolatria e Veneração:
Idolatrar: Prestar idolatria a; amar com idolatria; adorar, VENERAR. Adorar ídolos; praticar a idolatria.
Venerar: Render culto a; reverenciar:

Para o dicionário Aurélio, Idolatrar e venerar são sinônimos.
Por isso, percebemos que tudo não passa de um jogo de palavras para ocultar o pecado da idolatria.

Curiosamente, os dois exemplos que o Dicionário Aurélio apresenta para exemplificar a “Veneração” são esses:
“Os pagãos veneravam inúmeros deuses”.
“O hindu, como se sabe, venera a vaca, enquanto o muçulmano lhe come a carne.” (Raul Bopp, Coisas do Oriente, p. 28.)

Por isso, de acordo com o Dicionário Aurélio, veneração é uma ação normal no paganismo. É idolatria!

Agora, vejamos o que o apóstolo Paulo orienta ao escrever à Igreja de Corinto:

1 Coríntios 5:11:
“Mas agora vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou IDÓLATRA, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal nem ainda comais”.

Alguns argumentam que Paulo se referia a idolatria que, naquele contexto, era adoração os deuses gregos, romanos, divindades pagãs, e não aos santos existentes hoje no catolicismo, até mesmo porque na época em que Paulo escreveu esse texto ainda nem existiam esses santos.
Eu, particularmente, acho esse argumento muito fraco, especialmente pelo fato de que o conceito de deuses pagãos – divindades (conceito cristão) era de seres, em muitos casos humanos, que através de suas ações obtiveram a imortalidade e foram divinizados (mitologia grega). Vejamos, por exemplo, o conceito de divindade na Wikipédia:

“Divindade é um ser sobrenatural, mitológico, com poderes especiais, superior, CRIADO ESPONTANEAMENTE OU POR OUTRA DIVINDADE, e muitas vezes SUA IMAGEM É TIDA COMO SEMELHANTE À DO HOMEM. Cultuado, é tido COMO O SANTO, divino ou sagrado, e/ou respeitado por seres humanos. Normalmente as divindades além de mostrarem-se superiores aos seres humanos, controlam ou são superiores à própria natureza.”

Será que no catolicismo é diferente com os “santos”? Não. Também são pessoas que através de seus feitos foram imortalizados e “santificados” (divinizados). O princípio da idolatria a que o apóstolo Paulo se refere é o mesmo, só mudam-se os nomes de Zeus, Afrodite, Ares, Hades, Hera, Poseidon, Eros, Apolo, Ártemis, Dionísio, Hermes, Crono, para Santa Maria, Santa Margarida, Nossa Senhora, Santo Antônio, São Benedito, São João Batista, São Jorge, São José, São Judas Tadeu, São Paulo, São Tiago etc.

Por último, afirmam que um católico jamais admite ser idólatra.
Bem, precisamos compreender que se um católico admite ou não, isso não muda o fato de que tal atitude é pecado contra Deus. Idolatria é idolatria em qualquer contexto. Por analogia, se um alcoólatra não admite ser viciado em álcool, isso não quer dizer que ele não seja alcoólatra.

Pr. Robson T. Fernandes
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OBSERVAÇÃO:
Tudo o que foi dito com relação ao catolicismo nessa reflexão, se aplica – da mesma forma – a qualquer evangélico ou a qualquer outro de qualquer religião que pratique as mesmas coisas, seja com relação a pastor, pregador, sal grosso, rosa ungida ou qualquer outra prática do neopentecostalismo também, ou o que quer que seja. Não é porque a religião muda que a verdade deve mudar. Não! A verdade é imutável, esteja Ela onde estiver!

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