Cristianismo avança em países africanos, apesar da perseguição

Na Líbia, todo cidadão nasce muçulmano e isso faz parte da cultura do país. Na Líbia, um adolescente se decidiu pelo cristianismo. Durante três anos ele manteve sua fé em total segredo, até que decidiu sair em busca de outros cristãos.

“Ele conseguiu se comunicar com outro crente que seguia Jesus há mais 10 anos, sem ter nenhum contato real com outros cristãos”, contou Charley, um colaborador da Portas Abertas.

Depois disso, os dois conheceram outra jovem cristã. Os três formaram uma igreja doméstica muito pequena por um período de seis meses. Mas a conversão do jovem líbio foi descoberta e, de repente, sua vida mudou completamente.

Ele teve que fugir e deixar o país. Logo, a pequena igreja deixou de existir. O outro fiel, também está vivendo sob ameaça e está sendo vigiado.

“Eu sou seguido, e há uma pressão constante sobre mim para retornar ao islã”, disse ele. Ultimamente, ele anda pelas ruas com medo, já que pode ser preso pelas autoridades a qualquer momento.

Perseguição

Segundo Charley, o que normalmente acontece na Líbia é, em primeiro lugar, a perseguição por parte da família. “É uma vergonha para a família quando um deles deixa o islã. Os parentes usam até da violência física para tentar forçar a pessoa a voltar ao islamismo”, explica.

“Quando o cristão se recusa, é totalmente excluído da família e da sociedade”, continua. Segundo o colaborador, alguns são acusados de serem agentes da CIA, por seguirem uma religião ocidental.

Apoio

Vários cristãos estão ameaçados e precisam fugir da Líbia para salvar suas vidas. Situações como essa podem acontecer também em outros países do norte da África, especialmente nas aldeias menores, mas é menos provável.

Para a equipe da Portas Abertas, é muito difícil encontrar-se com crentes na Líbia, porque muitas pessoas fazem perguntas estranhas quando uma pessoa assim recebe de repente, um visitante desconhecido.

“Tentamos ajudá-los via internet, onde eles podem obter respostas sobre o que é a fé cristã. Também tentamos oferecer literatura para os novos cristãos, às vezes uma cópia impressa, às vezes uma versão eletrônica da Bíblia”, disse o colaborador.

Segundo ele, há também envolvimento através de contatos locais. Reunir esses cristãos para um treinamento em um local seguro fora do país também foi considerado. “Mas o problema é que eles precisam dar uma explicação muito boa sobre o por que precisam viajar para o exterior”, esclarece.

Presos dentro do próprio país

Os jovens líbios deveriam viajar para fora do país normalmente, mas eles simplesmente não conseguem. Charley não espera que mudanças positivas aconteçam em breve. “Nem mesmo se houvesse mais estabilidade política as pessoas poderiam fazer suas próprias escolhas”, comenta.

No momento, ele se mostrou mais positivo em relação à Tunísia. No reino de Marrocos, o colaborador também acredita que a mudança virá somente se o rei se posicionar. No ano passado, a Argélia testemunhou uma deterioração da situação das igrejas.

“Estávamos pensando que as coisas estavam indo bem para esses países africanos em relação à igreja, mas vimos que a pressão por parte do governo somente aumentou”, lamenta.

Possibilidade de mudança

Charley disse que, apesar de tudo, há esperança para os cristãos perseguidos. “Nos últimos 15 anos, cristãos na Tunísia deixaram de ser isolados. Mas você deve imaginar que, antes disso, havia crentes que pensavam que eram os únicos no país”, disse.

Segundo ele, agora os únicos cristãos que vivem isolados na Tunísia estão vivendo na região sul.

Um dos homens envolvidos com a igreja de estrangeiros na Líbia, a única que pode funcionar para estrangeiros que vão trabalhar no país, disse: “Nós nunca desistiremos. Sabemos que um dia isso [perseguição e instabilidade política] será história. Sabemos que o futuro é brilhante para a igreja cristã líbia”, conclui.

Por Cris Beloni

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