Aumenta o número de cristãos que veem Deus como alguém “sem gênero”

Identificação com um Deus masculino é mais forte entre católicos. Uma pesquisa feita pelo Instituto britânico YouGov descobriu que aumentou o número de cristãos que acredita que Deus não tem “gênero definido”. Um por cento dos entrevistados dizem concordar que “Deus é mulher” e cerca de um terço (36%) afirmam que “Deus é homem”.

A maioria (41%) declarou que Deus não tem gênero definido e outros 3% afirmam que o Criador não é “nem homem nem mulher”. Dezenove por certo afirmam que “não sabem”. Os dados desse levantamento comparados a outros do tipo, mostram que há uma mudança na percepção.

Curiosamente, as cristãs são mais propensas a acreditar que Deus é homem, enquanto os cristãos são mais propensos a acreditar que Deus não tem gênero humano.

Na pesquisa com mais de 3.000 cristãos britânicos, ficou evidenciado que a identificação com um Deus masculino era muito mais forte entre os católicos (47%) do que os evangélicos, mais propensos a acreditar que Deus não tem gênero humano (43%). Trata-se de um paradoxo, pois o Catecismo da Igreja Católica, questão 239, declara: “Deus transcende a distinção humana dos sexos. Não é homem nem mulher: é Deus”.

A idade também parece influenciar nessa percepção. Os cristãos com mais de 65 anos têm uma tendência maior a ver a Deus como alguém “sem gênero humano”, em comparação com 37% dos jovens de 25 a 49 anos.

Cultura popular

Nos últimos anos, várias Igrejas da Europa vêm debatendo sobre o uso dos termos para Deus durante a liturgia. Na Suécia, a Igreja Luterana eliminou as referências masculinas a Deus – chamado tradicionalmente pelos pronomes “Ele” e “Senhor” – buscando uma linguagem mais “inclusiva”.

O novo Manual Litúrgico passou a referir-se a Deus de “uma maneira neutra”. Ou seja, Deus pode ser chamado tantode “Mãe” quanto de “Pai” nas orações.

Algo similar vêm ocorrendo na Igreja Anglicana. No Reino Unido, quando as primeiras mulheres foram consagradas a “bispas”, em 2015, passou-se a defender um “afastamento da linguagem patriarcal”.

A pesquisa da YouGov reflete a influência da cultura popular, onde a ideia de Deus como mulher é cada vez mais comum. No livro/filme “A Cabana”, Deus é representado por uma mulher negra.

Já no videoclipe recente de “God is a Woman”, a cantora Ariana Grande defende que Deus é, de fato, mulher. Em 1999, a cantora Alanis Morissette interpretou Deus no filme “Dogma”, estrelado por Ben Affleck e Matt Damon.

por Jarbas Aragão

 

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