O evangelho e o homossexual

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O evangelho é o poder de Deus para salvar pecadores e é poderoso para desfazer as maiores inimizades. Nos últimos meses tenho pensado em muita coisa que envolve as pessoas que se consideram LGBT. Percebo à minha volta um mundo chato, hostil e que se recusa a debater sobre qualquer assunto sem prévia desqualificação e/ou rotulação do outro – e isso me incomoda demais.

No entanto, o que importa é que no último dia 28/06/2017 foi celebrado o dia internacional do orgulho LGBT. As pessoas têm uma necessidade de colocar esta pauta em destaque, e estou começando a aceitar o fato de que os tempos atuais exigem de nós uma reflexão maior e mais profunda sobre como o Reino de Deus enxerga esta parcela da sociedade que está ativa no mundo à procura de direitos civis, conquistas sociais e legitimidade nas diversas esferas existenciais.

Primeiramente eu quero desconstruir alguns equívocos do nosso espírito cristão. Não estamos sendo equilibrados quando tratamos disso, de modo que ou pisamos num extremo ou no outro, fazendo com que leiamos a atual conjuntura com misericórdia demais ou sem misericórdia alguma.

Eu quero dizer que o nosso chamado em Deus é para levar a oferta do evangelho a todas as pessoas, principalmente as que ainda não ouviram. E se há um homossexual que não ouviu o evangelho, mais importante do que debater com ele sobre a ordem genética de sua condição social é apresentar-lhe Cristo e este crucificado para a sua redenção. Quando pregamos “você é um pecador”, até não erramos na fala, mas agimos com parcialidade no discurso. O certo é dizermos a toda gente: “todos somos pecadores!”, pois isso é mais honesto. Diria que este é o pressuposto inteiro, o ponto de partida mais bíblico e menos legalista.

Não quero aqui me sujeitar ao orgulho de ninguém, nem pagar de bonzinho e sair pedindo perdão porque o Malafaia ou o Feliciano disse algo. Quero ser fiel à vocação que recebi de Deus e construir pontes para que o evangelho chegue em todos os ouvidos.

O problema maior que eu vejo é que a gente não sabe ser equilibrado quando tem de tratar deste assunto. Vejo crentes dizendo “é uma condição natural, é a vontade de Deus!” e outros dizendo “é uma aberração, e Deus vai matar a todos!” – e, para mim, ambos estão completamente equivocados. Porque simplesmente ESTE NÃO É O PONTO! O ponto é o evangelho! É preciso anunciar a boa notícia da Encarnação, da Expiação, da Redenção e apelar às pessoas para que creiam no nome do Filho. É tudo o que eles precisam ouvir, e quem crer será salvo.

Será que não é possível que a gente se ocupe mais na evangelização do que no debate político? Será que não podemos simplesmente pregar a verdade em amor? Não é uma questão de nós aceitarmos o outro ou não, nem de defendermos causa alguma na coisa pública, mas simplesmente de sermos instrumentos de Deus para anunciar a oferta do evangelho a todos, incluindo os que são LGBT.

Hoje eu vejo o ódio em tudo quanto é lado. Ódio numa massa evangélica extremista que põe as pessoas no inferno, ódio nos que se sentem ofendidos (não com a verdade, mas com o preconceito velado destes evangélicos extremistas), ódio nos evangélicos que perverteram a mensagem para fazer chegar mais “light” aos ouvidos e inclusive ódio em mim, que não vejo uma evolução ou melhora destas relações a partir de mim, do que posso e tenho contribuído. Entretanto, estou me posicionando, me expondo publicamente na internet para dizer que está tudo errado, começando em nós, os do Corpo, que somos os portadores da maior notícia desta vida. A gente se esqueceu de que o Espírito Santo convence as pessoas pela pregação e decidiu criar uma faixa de Gaza imaginária onde de um lado ficam os preconceituosos e do outro os magoados com o preconceito, enquanto o evangelho fica de fora.

O evangelho é o poder de Deus para salvar pecadores e é poderoso para desfazer as maiores inimizades.

Não temos nenhuma necessidade de julgar as pessoas ou condená-las; no entanto, também não fomos chamados para adulterarmos o evangelho para que possa caber no coração de quem ainda não recebeu o Cristo. Se a gente tão somente trocar o discurso moralista pelo anúncio das glórias de Jesus no mundo através do seu sacrifício vicário e de sua ressurreição corporal, certamente – e mesmo que não tenhamos muitos resultados numéricos – faremos a vontade de Deus, que se consiste em ser conhecido dos ouvidos de toda criatura.

Quem precisa se arrepender primeiro neste tempo é a própria Igreja, por falhar tanto na missão e por discipular os cristãos de um modo tão irresponsável. Nós deixamos os falsos mestres da teologia liberal se criarem e ganhar voz para chamar o errado de certo. Abrimos mão de chorar por tanta gente que não conhece a Jesus e ignoramos a necessidade de um “tato” pastoral para ouvir alguém que sofre com desejos e sentimentos que afetam a sua sexualidade. Nós estamos nos extremos, mas Cristo quer nos colocar no centro, onde Ele está, e onde a esperança ressurge.

Por Maycson Rodrigues

 

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